Ao contrário do que algumas pessoas pensam, as varizes não são apenas um problema estético, e sim uma etapa de uma doença muito mais complexa intitulada Insuficiência Venosa Crônica (IVC).
Estudos indicam que cerca de 20 a 33% das mulheres e de 10 a 20% dos homens apresentam algum grau da doença, que por ser crônica e evolutiva, pode acarretar consequências mais severas, como alterações irreversíveis na pele da região afetada. Essas alterações causam escurecimento, descamação e ressecamento da pele, dor, queimação e inchaço nas pernas, e até abertura de feridas que costumam demorar a cicatrizar.
Os fatores de risco para o desenvolvimento das varizes são:
- Histórico familiar: há uma clara correlação genética e hereditária, comumente detectada em cerca de 70% dos casos.
- Obesidade: o excesso de peso exerce uma sobrecarga nos membros inferiores, prejudicando assim o sistema venoso e contribuindo para o aparecimento das varizes.
- Sedentarismo: a falta de exercícios físicos aumenta a chance de problemas venosos. Ao incentivar o movimento muscular, especialmente da panturrilha (batata da perna), ativa-se um importante mecanismo que auxilia na circulação das pernas.
- Múltiplas gestações: a gestação promove alterações hormonais. Além disso, há uma piora do retorno do sangue das pernas causada pelo aumento de peso e pelo aumento uterino.
- Uso de anticoncepcionais: alguns estudos afirmam que os hormônios presentes nos anticoncepcionais têm como efeito colateral o enfraquecimento da parede venosa permitindo assim sua dilatação.
- Ficar muito tempo na mesma posição (em pé ou sentado): prejudica a circulação sanguínea, facilitando o aparecimento de varizes.
- Tabagismo: o cigarro é um grande inimigo do papel do sistema circulatório e, portanto, isso implica em um risco maior para praticamente qualquer tratamento que venha a ser proposto.
- Trombose venosa: a trombose de grandes veias nos membros inferiores dificulta o retorno de sangue, causando uma alteração das válvulas contidas em seu interior, o que aumenta a chance de desenvolver varizes e IVC.
Entretanto, as varizes têm alguma relação com outras doenças vasculares mais graves, como trombose venosa profunda (TVP), embolia pulmonar (TEP) e doença arterial periférica?
Pesquisas comprovam que pacientes com histórico de varizes apresentam maior risco de apresentar eventos trombóticos, além do aumento da adesão de leucócitos e leucócitos mais ativados, bem como níveis mais altos de inflamação e marcadores pró-trombóticos. Contudo, não há correlação entre varizes e doenças arteriais, como aneurismas ou lesões ateroscleróticas obstrutivas, pois são doenças vasculares completamente diferentes.

